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KYABJE TENGA RINPOCHE

 

Tenga Rimpoche foi reconhecido como um dos tulkus do grande Mosteiro de Benchen no Tibete oriental.

 

Já que a história de sua linhagem é bastante entremeada com as encarnações de Sangye Nyenpa Rimpoche, é bom olharmos primeiro a história dessa linhagem. Depois de viver na área de Dege por três vidas, o quarto tulku de Sangye Nyenpa, Gelek Jantsho, viajou para a próxima Ga, uma região interiorana de que ele gostava muito e considerava adequada para construir um mosteiro, contanto que os augúrios auspiciosos corretos acontecessem. Um dia, quando Gelek Jantsho estava parado perto de um penedo enorme, um corvo grande e negro descendeu do céu, pousou ali e deu um grito. Gelek Jantsho foi mais perto para olhar o corvo e viu cair de seu bico uma pequena imagem turquesa do protetor Dorje Bernachen e, depois, ele [o corvo] dançou em cima da pedra. Ele percebeu que o corvo deveria ser uma emanação do protetor. Como esse era um augúrio especialmente bom, ele decidiu que aquele seria o lugar para o seu mosteiro e manteve a pequena imagem de Mahakala para o seu relicário. Gelek Jantsho então foi até o chefe local, Rarda Pontshong, e contou-lhe sua história, pedindo que aquela terra lhe fosse disponibilizada para a construção do mosteiro. Profundamente impressionado, Rarda Pontshong ofereceu a própria terra em que ficava a casa de sua família, uma barraca preta grande e disse que o ajudaria com o projeto como pudesse.

 

Durante a construção do mosteiro, tormentas, tempestades de granizo e manifestações estranhas perturbaram o avanço. Gelek Jantsho percebeu que elas estavam provavelmente sendo causadas pelo dissabor do protetor da família de Rarda. Ele contou a Rarda Pontshong sobre os problemas e, tendo descoberto que o protetor era Shing Kyong, Gelek Jantsho resolveu que se dedicaria a meditar nesse protetor e que Shing Kyong sempre seria o protetor de seus ensinamentos. Ele construiu um relicário para Shing Kyong, que ainda é o protetor especial de todos aqueles associados ao Mosteiro de Benchen, e a construção foi acabada sem mais obstáculos.

 

A história das encarnações de Tenga começa no tempo do oitavo Sangye Nyenpa, Tenzin Drupchok, um dos alunos do qual era um lama altamente realizado chamado Gonkhen Samten. O título Gonkhen significa "perito em protetores" e lhe foi dado por sua proficiência na meditação em Shing Kyong. O Lama Samten passou a maior parte de sua vida em retiro, meditando em seu yidam, Karma Pakshi, e em Shing Kyong. Muitas pessoas vinham vê-lo para receber sua bênção, que curava todos os tipos de problemas médicos e outros. Vários anos após a morte do Lama Samten, Tenzin Drupchok viajou para Lhasa e, no caminho, conheceu um chefe local chamado Drungpa Pontshong, que solicitou iniciações. Enquanto Tenzin Drupchok estava hospedado com o chefe local, ele conheceu nessa família um menininho que perguntou se ele não iria devolver-lhe seu trompete de osso de coxa. Tenzin Drupchok imediatamente lembrou-se que, logo antes de morrer, o Lama Samten havia lhe dado seu trompete de osso de coxa e lhe pedido que tomasse conta dele por um tempo. Finalmente ele havia encontrado a reencarnação do Lama Samten.

Alguns anos mais tarde, voltando de Lhasa para o Mosteiro de Benchen, Tenzin Drupchok parou na casa do menininho e a família lhe deu o menino para que o levasse consigo. Logo após sua chegada no mosteiro, ele começou a estudar a teoria e a prática da tradição Karma Kagyu, na qual obteve excelência, memorizando em um ano todos os rituais e cânticos de Benchen. Ainda jovem, recebeu a ordenação de Tenzin Drupchok e o nome Karma Tenzin Chogyal. Depois, quando ele tinha cerca de dezoito anos, Tenzin Drupchok lhe contou sobre o Lama Samten, que havia sido um lama tão destacado que Tenzin Drupchok tinha grandes esperanças para o futuro. Para cumprir esta promessa, ele sugeriu que Tenzin Chogyal entrasse em retiro sob a orientação do grande Jamgon Kongtrul.

 

Tenzin Chogyal seguiu seu conselho e viajou para o Mosteiro de Pepung para encontrar-se com Kongtrul Rimpoche. Com sua instrução, o jovem monge terminou com muito sucesso um retiro de três anos e tornou-se o atendente de Kongtrul Rimpoche por mais três anos. Kongtrul Rimpoche estava muito impressionado com ele, e quando tinha de ir a Lhasa, ele deixava Tenzin Chogyal tomando conta de seu centro de retiros. Após alguns anos, Kongtrul Rimpoche voltou e disse a Tenzin Chogyal que, já que agora ele era igual a ele em realização, era hora de voltar para casa, para Benchen. Um dos presentes de partida que Kongtrul Rimpoche lhe deu foi uma pintura do Mahakala de seis braços, que ainda está com o Tenga Rimpoche atual.

 

Quando Tenzin Chogyal voltou para o lar em Benchen, Tenzin Drupchok havia falecido e então ele teve de assumir a direção do mosteiro e a educação do novo Sangye Nyenpa, Gelek Drupe Nyima (que morreu cerca de vinte anos atrás). Além desse trabalho, uma das maiores realizações de Tenzin Chogyal foi a construção de quatro centros de retiro em Benchen: um para Jinasagara (uma forma de tantra elevado de Chenrezig), um para Kunrik (uma forma de Vairocana e este retiro incluía Tara Branca e Shing Kyong), um para as seis doutrinas de Naropa, e um para as seis doutrinas de Niguma.

 

Quando Tenzin Chogyal ficou velho, ele disse a seus monges que, já que ele estava envelhecendo e as coisas estavam ficando difíceis para ele, ele deixaria Benchen e iria morar em "algum jardim agradável". Todos foram solidários e acharam que essa era uma idéia muito boa. Ele disse o mesmo a Sangye Nyenpa e lhe deu algumas de suas posses, inclusive a pintura do Mahakala de seis braços para tomar conta enquanto ele estivesse longe. Poucos dias depois ele morreu.

 

Alguns anos depois, Situ Pema Wongchuk visitou Benchen e Sangye Nyenpa e lhe perguntou como ele poderia encontrar a encarnação de seu lama, Tenzin Chogyal. Situ Rimpoche predisse o nome do pai e da mãe da criança, o ano de seu nascimento (1932) e disse que Sangye Nyenpa não teria de procurar longe, que encontraria a criança nas vizinhanças de Benchen. Depois de uma busca, eles encontraram a criança (o atual Tenga Rimpoche), que tinha sete anos de idade. Ele então iniciou seus estudos em Benchen e recebeu refúgio e o nome Karma Tenzin Thinle Namgyal de Situ Rimpoche. Aos dezesseis anos, ele estava instalado como um tulku e nos anos seguintes aproveitou para aprender medicina com um tio que era tanto lama quanto médico. Aos dezenove, ele recebeu a ordenação de Situ Rimpoche e, quando terminou os estudos, entrou num retiro de três anos. Durante essa período, tornou-se particularmente conhecedor da meditação na Tara Branca (seu yidam) e de tummo. Diz-se que no retiro suas tigelas de água foram as únicas que não congelaram durante o inverno.

 

Em 1959, como resultado da invasão chinesa, Tenga Rimpoche deixou Benchen para ir para Lhasa e depois para o norte da Índia. Em seguida à sua chegada na Índia, ele foi para Rumtek, o assento de Sua Santidade, o Gyalwa Karmapa, onde o Rimpoche serviu como dorje loppon (mestre vajra) durante mais de nove anos. Em 1974, viajou com o Karmapa para o Oeste. Desde então, ele tem viajado extensivamente pelo Oeste, dando ensinamentos sobre o budismo. A cada dois anos, ele dá um seminário de três semanas na Alemanha, onde residem muitos de seus alunos.

Em 1986, Tenga Rimpoche estabeleceu o novo Mosteiro de Benchen em Kathmandu, nos contrafortes de Swayambhu. Atualmente, este mosteiro é o centro para práticas rituais tradicionais da linhagem Karma Kamtsang. Os monges, sob a orientação tanto de Tenga Rimpoche quanto de Sangye Nyenpa Rimpoche, são treinados em meditação e estudos do Dharma em geral, e especialmente nos rituais tântricos tradicionais como as mandalas de areia e as danças de lama. Duas vezes por ano, eles apresentam as danças de lama de Mahakala e Padmasambhava.

 

Atendendo os desejos de Tenga Rimpoche e Sangye Nyenpa Rimpoche, foi inaugurada uma clínica de saúde em 1994. Esta clínica oferece cuidados médicos gratuitos não apenas para o mosteiro como também para as pessoas locais que não podem pagar por tais cuidados.

 

Um centro de retiros foi construído na área de Parping, a vinte quilômetros de Kathmandu, como parte do Mosteiro de Benchen. Isso proporcionará o retiro de três anos tradicional para os monges, bem como acomodações para retiros mais curtos e mais longos para leigos.

 

 

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