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MATÉRIA PUBLICADA EM 15/07/2013

 

Entrevista Lama Zopa Norbu (Prof. Roque Severino): Espiritualidade no Trabalho"

Material publicado no Blog Questão de Coaching
http://questaodecoaching.wordpress.com/2013/07/15/entrevista-lama-zopa-norbu-espiritualidade-no-trabalho/

 

Hoje nosso entrevistado é Lama Naljorpa Karma Zopa Norbu, que nos traz uma história de superação incrível e uma visão da espiritualidade na prática para todos nós que buscamos mais qualidade de vida e um mundo melhor para todos. Acompanhe um pouco de sua história, a entrevista e uma mensagem em video.

 

Mini Currículo:

Com a idade de 6 anos iniciou seus estudos sobre o Budismo com sua professora primária, incentivado pelo seus próprios pais. Aos 13 anos junto aos seus estudos primários comuns iniciou estudos de Tai Chi Chuan da linhagem da Família Yang e I Ching com o professor Ma Tsun Kuen, adido comercial da embaixada chinesa em Buenos Aires. Continuou seus estudos de filosofia oriental antiga na Faculdade de ensino Livre “San Francisco de Assis” especializando-se na cultura chinesa antiga, o Budismo Chinês e o I Ching. Em 1978, aos 24 anos, mudou-se para São Paulo fundando a Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan e Cultura Oriental. Em 1978 iniciou seu treinamento Budista na escola japonesa Soto Senshu em SP sob a direção do Mestre Tokuda. Em 1978 – conheceu o Mestre Liu Pai Lin e seu filho o Mestre Liu Chi Ming com quem continuou seus estudos do I Ching, o livro das mutações, e do treinamento interior do Tai Chi Chuan Em 1980 adquiriu as terras que foram utilizadas para construir as instalações da Kagyu Dag Shang Choling – Jardim do Dharma. Estas terras foram consagradas pelo Monge Tendai Dokan Yanashigawa em 1990, pelo Geshe Gelupa Lobsang Jamiang em 1990, pelo V. Lama Trinle Drubpa em 1993, por seu mestre Bokar Tulku Rimpoche em 1996 e Mingyur Rimpoche em 2007. Diretor Fundador da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan e Cultura Oriental e Diretor Fundador da Kagyu Dag Shang Choling – Jardim do Dharma.

 

Uma História de Perseverança

“Nasci na Argentina no meio de uma guerra civil, toda minha infância a princípio foi feita no meio de uma guerra. Eu deixei a Argentina em 1978 no meio de uma guerra e cheguei ao Brasil, onde tive duas impressões fantásticas. A primeira foi um civil discutindo na rua com um policial e isso na minha vida eu nunca tinha visto. Na minha terra quando um civil era pego por um policial, nós tínhamos que olhar para baixo, vivíamos em estado de sítio onde não havia garantia nenhuma de liberdade; muitas vezes fui abordado pelo serviço secreto com arma na cabeça, então a impressão que tive dessa cena foi “uau, é aqui que eu quero ficar!” Quando aqueles fuscas com os canos de escapamentos explodiam, cada vez que ouvia eu me jogava no chão ou me dava calafrio. E então eu pensei, “olha como eu estou!” Na Argentina eu ia trabalhar e não sabia se voltava vivo, porque explodiam bombas, os trens quebravam e sempre existia sabotagem e quando chegava ao emprego tinha manifestação e nós cheirávamos gás lacrimogênio. Naquela época eu fumava, não para tragar o cigarro, mas para sempre ter fumaça na cara e para que o gás não nos fizesse mal. Entre fumaça de cigarro e gás lacrimogênio, imaginem que saudável era nossa vida. A outra coisa que eu vi no Brasil foi gente catando lixo e rindo, tirando sarro da situação. Eu pensei:  “este é o meu lugar”. Fui falar com um senhor idoso e disse: vamos falar claramente, olha o que você está fazendo, olha onde você está e você está tirando sarro, rindo? Ele olhou para mim e falou: meu filho, não tenho nada a perder. Como não tenho nada a perder, deixa eu ser feliz. Pensei, isso é o máximo. Um outro ponto é que nos dois, três primeiros anos aqui no Brasil eu passei muita fome. Então eu juntava latas para dar a um carroceiro, ele me pagava as latas e eu podia comprar um pouquinho de arroz para comer. E eu ainda dava aula de Tai Chi Chuan e filosofia, era muito jovem, tinha 24 anos, e o pessoal me enrolava para não pagar. Então estava sempre passando fome. Foi esta gente pobre da rua que me ajudou a sobreviver. Depois conheci minha esposa Maria Angela Soci, e começamos a trabalhar e a lutar, sempre fazendo o que nós mais amamos, que é dar aula de Tai Chi Chuan, filosofia e meditação. Foi então que conheci os mestres japoneses e chineses e fui em frente no meu caminho.  Na prática já conhecia o Tai Chi Chuan, o budismo eu conheci na Argentina aos 6 anos de idade com minha professora do primário. Em 1988 conheci o Budismo dos Himalaias através de um mestre tibetano e pude ter uma identificação com aquilo que eu procurava interiormente – me dediquei 100%. Sempre treinando Tai Chi Chuan também. E isto o que vocês estão vendo aqui (sítio do Jardim do Dharma) foi construído por mim e pelos pedreiros, tive que aprender a construir, pouco a pouco desde 1984. Dava aula, o dinheiro que entrava eu comprava material, ficava aqui com o pessoal, fui aprender a ser eletricista, encanador, pedreiro, tive que fazer tudo. Não houve tempo para adoecer e quando adoecia me curava com Tai Chi Chuan e medicina natural; tive vários acidentes de quase morte e no hospital me deram remédio alopático, que me curou por um lado, mas me fez muito mal por outro. Mas pelo Tai Chi Chuan e prática da meditação eu superei os traumas e recuperei a parte fisiológica. E hoje esse espaço é um centro de Dharma, onde ensinamos Tai Chi Chuan com todos seus aspectos de meditação, filosofia e ciência. Temos trabalhado junto com nossos alunos em vários hospitais e através do meu trabalho influenciei muitos líderes da polícia militar, civil e federal, dei aula em seminários, meus livros influenciam muitas pessoas e estamos levando o Tai Chi Chuan para outros países da América Latina e Europa. E hoje estou melhor, feliz, em paz. Vejo que hoje, o “argentino louco radical” – antigamente quando queriam me xingar diziam isso – o argentino louco já trouxe benefício para muitas pessoas.”

 

QC: Qual a sua definição de espiritualidade?

Lama: ser consciente de cada momento de sua vida. Isto não é fácil, porém é possível. Ser consciente das respostas que você oferece às pessoas que lhe rodeiam, para não criar mais causas de sofrimento nos seres. Se formos capazes de sermos conscientemente amorosos, então seremos uma pessoa que pode dizer que está trilhando um caminho espiritual.

 

QC: Como o senhor enxerga o cenário entre espiritualidade e mundo profissional atualmente e qual a perspectiva futura?

Lama: Se somos conscientes num mundo altamente competitivo, como é o ambiente profissional, poderemos ser de muita ajuda aos nossos colegas, que muitas vezes se sentem perdidos e confusos. Penso que nos ambientes de trabalho também predomina muito o medo de perder, então se um profissional puder além de ser bom no que faz, estar tranquilo e ser amável, ele vai contribuir em muito com todo o seu entorno.

A perspectiva futura vai depender muito do íntimo de cada ser, não há uma previsão geral. Não acredito em previsões gerais nesta área. O que eu vejo é muita agressividade onde os valores éticos e morais são deixados de lado constantemente. Então penso que é necessário que as pessoas sejam muito conscientes de suas palavras, pensamentos e atos, para o beneficio de todos.

 

QC: Como as pessoas e organizações podem colocar em prática a espiritualidade no dia a dia?

Lama: As organizações não existem, existem as pessoas. Organização é um termo fictício, um grupo de pessoas forma uma organização. Os problemas são os lideres, e eles são pessoas com medos e fantasias. Se as “organizações” forem dirigidas por pessoas desta índole que não pensam em seus colegas e nem no seu país, então o futuro será muito frustrante.

 

QC: Como podemos notar a diferença de um líder espiritualmente desenvolvido nas organizações?

Lama: Ele é inclusivo e promove em primeiro lugar o bem estar de seus funcionários, não como um método de manipulação para ter mais rendimento, e sim por amor e respeito aos seus colaboradores que também são seres humanos.

 

QC: Em que aspectos a meditação e mente tranquila relacionam-se com o ambiente de trabalho?

Lama: A meditação é estar consciente de nós mesmos e de nosso entorno. Mente tranquila quer dizer que se vive no presente sem ser manipulado pelas lembranças do passado nem as ilusões do futuro. Se encontrarmos um empresário, ou vários, com esta mentalidade eles terão êxito em todos seus empreendimentos. Lembrem que de 10 empresas que se abrem 8 não chegam a completar 2 anos de existência; se você olhar a causa disto é simplesmente desequilíbrio emocional.

 

 

Material publicado no Blog Questão de Coaching
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